segunda-feira, 25 de julho de 2011

Comezinhas e prendas

Tinha um amigo extremamente interessante. Todas as vezes que se encontravam, Rita se certificava de que ele era quase perfeito. E que obviamente não deveria constar na categoria amigos, fora o fato de que conversavam muito. Nossa, mãe! Falavam tanto, conseguiam entrelaçar tantos assuntos, e gostavam tanto do jeito que um encarava determinada situação que a tensão ficava espremida entre um quê de admiração e outro de orgulho.
Era sem dúvida o maior amor que poderia existir. Não se queriam experimentar por medo de um dia terem que optar pela distância ou pela mágoa. Seria pior estarem distantes, sem pelo menos as opiniões e os sorrisos acolhedores que davam quando estavam juntos. Às vezes ela tinha vontade encostar seus lábios nos dele devagar, com intensidade, principalmente mesmo quando ele sorria. Nossa. Mas logo cerceava o sentido. Ele repetia várias vezes a mesma frase ou o mesmo assunto. Qualquer narrador dessa história afirmaria que era para alongar a conversa, a estadia ao lado dela.
Um dia nublado, nesse tal de chove não molha, conseguiram ficar mais de 6 horas a fio conversando, cheios de bons humores. Era recíproco, mas platônico.