O amor comprometido é a pior coisa que pode existir, Turmalina. Aquele comprometido em dar certo, fica junto só por causa da insistência em dar certo. Já senti e vi amores assim.
Eu sei.
Em alguns momentos todos nós trombamos com pessoas assim, fazendo do amor a missão de suas vidas. Como se fosse dominável e pragmático como trabalhar.
Também já vi. Inclusive tentei um amor assim. Mas você sempre condena tanto o amor, principalmente pessoas que fazem sacrifícios por ele... Nunca imaginei que tivesse um dia se comprometido a tal ponto...Sempre achei que quando lhe caísse o sentido de que o sentimento estava torto, você simplesmente abriria a porta e sairia.
Engraçado você assim falar assim de mim, Turmalina. Na verdade, na verdade, você não sabe como sou em relacionamentos. A gente tem quanto tempo de amizade? Um ano? Se tivesse mais nem seria tão formal nessa conversa com você.
No bem da verdade, só estou explicando aqui minha concepção de amor por causa disso. Se soubesse meus tropeços por homens monótonos, iria entender onde quero chegar. Me cansa, só de falar. O pior é que nem posso te cobrar, porque você é bem mais nova que eu.
Tudo bem, nem precisa falar desse jeito, Rita, como se ofendida por não sermos mais íntimas. Estranho isso, você é uma pessoa intrigante.
Mais uma vez provando que você não me conhece, Turmalina.
Mas, venha aqui! Nós estamos desabafando como mulheres ou brigando por sei lá o quê? Você está muito amarga, como alguém que tivesse ficado para a titia. Sem esperanças de viver milhões de vezes um grande amor.
E você fala como se eu acreditasse nisso. Turmalina, não acredito nem no amor comprometido em dar certo nem no amor que flui como uma cantiga hippie esperando o vento bater naqueles vestidos longos e de tecido leve, próprios das mulheres que se entregam ao amor. Eu visto vestidos no joelho, práticos para o trabalho, para a diversão e encontros familiares. E não gosto de me preocupar que voem ou encurtem quando tenho que me movimentar.
Mas e quando você quer ficar um pouquinho mais sexy, Rita? Sinceramente, do jeito que aqueles carinhas do trabalho olhavam para você, logo quando te conheci, achei que você era a mais cobiçada dali, e de outros lugares, diga-se.
Turmalina, até pode ser, mas não porque eu use sainha na metade da coxa. E quer saber? Me incomoda falar assim. Você sem quê nem pra quê me deixou impaciente. Parece que sou uma mulher amarga.
E é mesmo pra mim. Não tenho essa tipologia do amor como se fosse regra para eu me apaixonar, acho estranho que você tenha. Tão decidida de si, tão afirmativa. Ficar se escondendo em tipos de amor que servem ou não. Muito estranho eu diria. Mas aí você vai vir com essa coisa que sou muito nova e blá. Turmalina, de verdade, deixe essa conversa para outra hora.